Resposta curtaUm laudo de demência bem fundamentado não é uma frase com um CID e uma assinatura. É um relatório médico que mostra como o diagnóstico foi feito: para que serve o documento, quem foi ouvido, quais testes foram aplicados e como foram interpretados para a escolaridade, como está o dia a dia da pessoa, quais causas tratáveis foram afastadas, quais exames sustentam o quadro, qual o estágio e qual o plano de cuidado.
Nenhum teste de memória, sozinho, decide um diagnóstico. E o relatório do médico que acompanha o paciente descreve a saúde; ele não conclui sobre capacidade civil, que é papel do juiz, com a perícia. A Dra. Ana Laura Bersani (Geriatra, RQE 38440) faz esse tipo de avaliação em Franca/SP e São Paulo/SP, em casa ou, quando a finalidade permite, por vídeo.
O que é um laudo de demência? É o relatório médico que registra o diagnóstico de demência, os achados da avaliação cognitiva e funcional que o sustentam, os exames realizados, a conduta e as consequências do quadro para a saúde e o cuidado da pessoa, com data e assinatura do médico.
Para que a família costuma precisar desse documento
O mesmo diagnóstico pode ser pedido por pessoas diferentes, com perguntas diferentes:
- Advogado de família, para instruir um pedido de curatela (o Código de Processo Civil, art. 750,
pede laudo médico junto da petição).
- Serviço médico oficial ou contador, no pedido de isenção de imposto de renda por doença grave
(veja imposto de renda e Alzheimer).
- Plano de saúde, para avaliar home care ou cobertura de um tratamento.
- Casa de repouso, para planejar o cuidado e o grau de dependência.
- A própria família, que precisa de um diagnóstico claro para se organizar.
Por isso o primeiro item do relatório é a finalidade. Um documento escrito para "a quem possa interessar" costuma responder mal a todos.
O que um relatório bem fundamentado contém
| Parte do relatório | O que traz | Por que importa |
|---|---|---|
| Identificação e finalidade | Dados do paciente, quem pediu e para quê | Delimita a pergunta que o documento responde |
| Método | Data, local (consultório, casa ou vídeo), duração, quem estava presente, instrumentos usados | Permite a outro médico ou ao perito entender e conferir |
| História e informantes | Como e quando os sintomas começaram, como evoluíram, relato do paciente e de quem convive | Demência é mudança em relação ao que a pessoa era; isso só aparece na história |
| Avaliação cognitiva | Testes validados no Brasil, com resultado interpretado para a escolaridade e para a audição e a visão | O mesmo número significa coisas diferentes para quem estudou 2 ou 15 anos |
| Avaliação funcional | O que a pessoa faz sozinha no dia a dia: banho, vestir, remédios, dinheiro, telefone, compras | É o que diferencia demência de um esquecimento leve |
| Causas reversíveis afastadas | Vitamina B12, tireoide, depressão, delirium (confusão aguda), remédios, audição e visão | Parte dos quadros de memória tem causa tratável |
| Exames | Laboratório e imagem (tomografia ou ressonância), quando indicados | Sustentam o diagnóstico e ajudam a definir o tipo |
| Diagnóstico | Tipo provável de demência, código CID e estágio (leve, moderado, avançado) | Dá nome ao quadro e mostra o grau de comprometimento |
| Conduta | Tratamento, acompanhamento, reavaliação prevista | Mostra que existe um plano, não só um rótulo |
| Consequências para a saúde e o cuidado | Riscos, supervisão necessária, apoio de que a pessoa precisa | É o que a família, o plano ou a instituição usam na prática |
| Data e assinatura digital | Data da avaliação e do documento, nome, CRM e RQE, assinatura com certificado digital | Dá autenticidade e situa o relatório no tempo |
Alguns detalhes desse quadro merecem explicação.
Instrumentos validados, interpretados com cuidado. Os testes mais usados no Brasil incluem o Miniexame do Estado Mental (MEEM), o MoCA, a fluência verbal, o desenho do relógio e listas de palavras. Para o dia a dia, escalas como as de Katz (atividades básicas), Lawton (atividades instrumentais) e Pfeffer. O estágio costuma ser descrito com escalas como a CDR. O nome do teste importa menos do que a interpretação: a nota de corte do MEEM, por exemplo, muda conforme os anos de estudo.
A palavra de quem convive. Muitas vezes a pessoa com demência não percebe as próprias falhas. O relato da filha que nota as contas atrasadas, do cônjuge que vê o fogão esquecido aceso, entra no relatório com a identificação de quem falou.
Causas reversíveis primeiro. Falta de vitamina B12, hipotireoidismo, depressão, delirium causado por infecção e efeitos de remédios (calmantes, alguns antialérgicos, remédios para bexiga) podem imitar ou piorar uma demência. As recomendações da Academia Brasileira de Neurologia e da SBGG pedem que essas causas sejam investigadas antes de fechar o diagnóstico.
Por que um teste de memória sozinho não decide
É comum a família chegar com uma folha: "ele fez 19 pontos no teste". Esse número, isolado, diz pouco.
- A escolaridade muda a nota. Quem estudou pouco pode errar por falta de familiaridade com a
tarefa, não por doença.
- Ouvir e enxergar mal derruba o resultado. Sem o aparelho auditivo ou os óculos, a pessoa erra o
que não ouviu ou não viu.
- O dia conta. Uma noite mal dormida, dor, ansiedade, uma infecção urinária começando: tudo isso
altera o desempenho.
- Depressão pode parecer demência. O desânimo e a lentidão do pensamento confundem até o teste mais
bem aplicado.
- Um teste não mostra a mudança. Demência é queda em relação ao que a pessoa já foi. Isso aparece
na história e, às vezes, só na reavaliação meses depois.
Por isso o diagnóstico junta história, testes, avaliação funcional, exames e tempo. É o que pedem as diretrizes brasileiras e também a diretriz britânica NICE NG108, usada como referência de método clínico. Se a sua família recebeu um diagnóstico que parece ter saído de um teste só, uma segunda opinião em geriatria pode rever o caminho percorrido.
O que o relatório não pode afirmar
Aqui está o limite que mais confunde famílias e até advogados:
- Conclusão sobre capacidade civil. Pela Resolução CREMESP nº 393/2025 (art. 10), o relatório do
médico assistente traz diagnóstico, exames, conduta e consequências para a saúde, e o médico não se manifesta sobre matéria pericial referente ao próprio paciente. Num pedido de curatela, quem conclui se a pessoa pode ou não gerir os próprios bens é o juiz, com base na perícia feita por perito nomeado no processo.
- Promessa de resultado. O relatório descreve o que a avaliação encontrou. Ele não "garante"
curatela, isenção ou cobertura do plano.
- Diagnóstico sem avaliação. Todo documento nasce de uma avaliação médica real. Não existe
"assinar um modelo pronto".
Presencial ou por vídeo?
Depende da finalidade do documento:
- Investigação clínica da memória pode começar por vídeo, com a família junto: história, remédios,
exames anteriores e parte dos testes. Veja a avaliação de memória online.
- Relatórios clínicos, como o de imposto de renda, home care ou casa de repouso, podem nascer de uma
consulta por vídeo, quando a avaliação permite.
- Avaliação cognitiva para processo judicial ou cartório (curatela, testamento, procuração, venda de
imóvel) é sempre presencial, no consultório ou em casa. A Resolução CFM nº 2.430/2025 (art. 18, §2º, III) não admite a avaliação a distância quando ela envolve a avaliação atual de capacidades.
Para quem está em Franca e região, a avaliação de memória pode ser feita no consultório ou em casa.
Um cenário ilustrativo
Um cenário comum, construído para explicar o método: o filho precisa de um relatório para o advogado e traz o pai com um diagnóstico anotado num receituário, sem exames. Na avaliação presencial, a geriatra ouve o pai e o filho, nota que o pai não usa o aparelho auditivo há meses e que começou um remédio para dormir recentemente. Os testes, interpretados para os quatro anos de estudo dele, mostram alterações, mas os exames de sangue ainda não foram feitos. O resultado, naquele dia, é "faltam informações": ela pede os exames, ajusta o que for possível com o médico que prescreveu o remédio e marca a reavaliação. O relatório vem depois, com o quadro completo.
Os quatro resultados possíveis da avaliação
- Documento fundamentado. As informações bastam, e o relatório é emitido.
- Faltam informações. São pedidos exames, relatórios de outros médicos ou uma avaliação
complementar.
- Há algo a tratar antes de reavaliar. Delirium, depressão, infecção, falta de B12 ou um remédio
podem estar piorando a memória. Primeiro o cuidado, depois a reavaliação.
- O pedido foge do escopo. Quando o que se precisa é de uma perícia, de uma conclusão jurídica ou
de um documento sem avaliação. A equipe explica e indica o caminho.
Todos são combinados antes de qualquer pagamento.
Perguntas frequentes
Um teste de memória basta para o laudo de demência? +
Não. Um teste cognitivo é um recorte de um dia e sofre influência da escolaridade, da audição e da visão, do humor, do sono e de remédios. O diagnóstico de demência junta a história contada pelo paciente e por quem convive com ele, testes interpretados para a escolaridade, a avaliação do dia a dia, exames que afastam causas tratáveis e o acompanhamento ao longo do tempo.
O relatório do geriatra diz se a pessoa é capaz ou incapaz? +
Não, quando a pessoa é paciente da médica. Pela Resolução CREMESP nº 393/2025, o relatório do médico assistente traz diagnóstico, exames, conduta e consequências para a saúde, sem se manifestar sobre matéria pericial. Num processo de curatela, quem conclui sobre a capacidade civil é o juiz, com base na perícia do processo.
O laudo de demência pode ser feito por telemedicina? +
Depende da finalidade. A investigação clínica da memória pode começar por vídeo, com a família junto, e relatórios clínicos, como o de imposto de renda ou de home care, podem nascer de consulta por vídeo. Já a avaliação cognitiva que vai instruir processo judicial ou ato em cartório é sempre presencial, no consultório ou em casa (Resolução CFM nº 2.430/2025).
Quanto tempo vale um laudo de demência? +
Não existe um prazo único. O relatório descreve a pessoa na data da avaliação, e a demência costuma mudar com o tempo. Quem pede o documento, como o juiz, o plano de saúde ou o serviço oficial, pode exigir um relatório recente. Na dúvida, vale perguntar ao solicitante qual data ele aceita.
Quem pode receber o relatório? +
O próprio paciente ou quem ele, ou o representante legal, autorizar. Quem paga a avaliação não ganha, por isso, o direito de definir a conclusão nem de receber informações clínicas sem autorização. Isso é combinado antes da consulta.
Quando procurar avaliação
Se alguém pediu um documento sobre a memória do seu pai ou da sua mãe, o primeiro passo é saber para quê: a finalidade define se a avaliação pode começar por vídeo ou precisa ser presencial, e o que o relatório pode conter. Se o diagnóstico ainda não existe, comece pela investigação; mais sobre a doença em Alzheimer e demência no idoso.
A Dra. Ana Laura Bersani atende presencialmente em Franca/SP e São Paulo/SP, em casa ou por telemedicina. Veja como funcionam os laudos e relatórios médicos para idosos: a equipe faz quatro perguntas (finalidade, cidade, pedido por escrito e prazo) e envia o resumo do atendimento, com o que o documento pode e não pode afirmar, antes de marcar.
Referências
- Academia Brasileira de Neurologia (Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento). Recomendações para o diagnóstico da doença de Alzheimer e de outras demências no Brasil. Dementia & Neuropsychologia, 2022.
- Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) — orientações sobre avaliação geriátrica ampla, avaliação cognitiva e funcional.
- National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Dementia: assessment, management and support for people living with dementia and their carers (NG108), 2018 — referência de método clínico, não norma brasileira.
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Global action plan on the public health response to dementia 2017–2025.
- Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo. Resolução CREMESP nº 393/2025, art. 10.
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.430/2025 (perícia médica e telemedicina), art. 18; Resolução CFM nº 2.381/2024 (emissão de documentos médicos).
- Brasil. Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), art. 750.
Notou esquecimentos ou mudanças de comportamento?
A avaliação de memória investiga causas que têm tratamento, revisa medicamentos que podem interferir na cognição e organiza os próximos passos com a família.
Conteúdo informativo; não substitui a avaliação médica. Cada caso é individual.