Agendar consulta
Artigo

Meu pai dorme o dia inteiro: quando a sonolência no idoso é sinal de alguma coisa

Resposta curta"Meu pai dorme o dia inteiro" é uma das frases que mais chegam ao consultório — quase sempre acompanhada de "deve ser da idade". Não é. O idoso pode dormir de forma diferente, mas não precisa passar o dia dormindo.

Na maioria das vezes há uma causa por trás, e muitas têm solução: noites mal dormidas, remédios que dão sono, apneia do sono, depressão, anemia ou tireoide. E há um alerta importante: sonolência que começa de repente pode ser a forma como uma infecção ou uma confusão aguda aparece no idoso. A Dra. Ana Laura Bersani (Geriatra, RQE 38440) avalia a queixa em Franca — presencial, domiciliar ou por telemedicina.

O que é sonolência excessiva durante o dia? É a dificuldade de se manter acordado nas horas em que a pessoa deveria estar desperta. Não é o cochilo curto depois do almoço, que é comum e costuma fazer bem. É cochilar na poltrona a tarde toda, dormir no meio da conversa, da novela ou da refeição, e continuar sonolento mesmo depois de uma noite inteira na cama. É um sinal — não um diagnóstico — e o que importa é descobrir de onde ele vem.

Primeiro passo: como ele está dormindo à noite?

A pergunta parece óbvia, mas muda tudo. Em muitas casas, o dia sonolento é a outra metade de uma noite ruim: a pessoa acorda várias vezes para ir ao banheiro, sente dor, deita muito cedo e desperta de madrugada. Aí o corpo cobra durante o dia, os cochilos ficam longos, e a noite seguinte piora — um ciclo que se alimenta sozinho. Se esse é o quadro, o ponto de partida é a insônia no idoso.

Vale reparar também no que acontece durante o sono: ronco alto, pausas na respiração, engasgos ou acordar com a boca seca e dor de cabeça são pistas de apneia do sono. Ela fragmenta o descanso sem que a pessoa perceba, deixa o dia pesado e é pouco lembrada em idosos.

O que pode estar por trás

  • Remédios — é uma das causas mais comuns e mais reversíveis. Remédios para dormir e para

ansiedade, alguns antialérgicos, analgésicos mais fortes e medicamentos para dor nos nervos dão sono, e o efeito se soma quando são muitos ao mesmo tempo (a polifarmácia). Nunca suspender nem trocar remédio por conta própria;

  • Depressão — no idoso, ela muitas vezes aparece como cansaço, desinteresse e vontade de ficar

deitado, mais do que como tristeza declarada. Veja depressão no idoso;

  • Anemia, tireoide lenta e falta de vitamina B12 — deixam o corpo sem energia e são

identificáveis por exame de sangue. Veja anemia no idoso;

  • Demência — com a evolução, o relógio interno se desorganiza: a pessoa cochila de dia e fica

acordada ou agitada à noite. Veja Alzheimer e demência;

  • Tédio e isolamento — quem passa o dia sem atividade, sem conversa e sem luz natural tende a

cochilar mais. Perda de audição e visão ruim aumentam esse isolamento sem que a família perceba;

  • Outras doenças crônicas descompensadas, como problemas do coração, dos rins ou do pulmão, e

alterações do açúcar no sangue em quem tem diabetes.

Quando é urgente — e quando é avaliação

É emergência agora — chame o SAMU (192) se a sonolência vier junto de:

  • dificuldade para acordar ou para se manter acordado mesmo sendo chamado;
  • fala arrastada, boca torta ou fraqueza em um lado do corpo;
  • falta de ar, dor no peito ou lábios arroxeados;
  • em quem tem diabetes, suor frio, confusão e tremor.

É avaliação no mesmo dia quando a sonolência começou de repente, em poucos dias, ou veio com confusão diferente do habitual, recusa de comida e água, febre ou piora para andar. No idoso, infecções — a infecção urinária é a mais comum —, desidratação e um remédio novo podem aparecer justamente assim: a pessoa fica quieta, sonolenta e "fora do ar", às vezes sem febre. É a forma silenciosa da confusão mental aguda, que tem tratamento quando a causa é encontrada.

É avaliação agendada, sem pânico, mas sem adiar quando a sonolência vem aumentando há semanas ou meses, atrapalha a rotina, as refeições e a convivência, ou veio junto de desânimo, ronco alto ou perda de peso.

Como é a avaliação

Na consulta geriátrica, a sonolência é investigada dentro do conjunto:

1. Escutar a história do sono — horários de deitar e levantar, quantas vezes acorda à noite, duração dos cochilos, ronco e pausas na respiração relatados pela família; 2. Revisar todos os medicamentos, inclusive os de venda livre, chás e suplementos, e os horários em que são tomados; 3. Rastrear depressão e alterações da memória, com perguntas e testes simples; 4. Pedir exames quando indicado — hemograma, tireoide, vitamina B12, sódio, glicemia e outros conforme o caso; 5. Avaliar o dia a dia — atividade, luz natural, convívio, audição e visão; 6. Encaminhar para estudo do sono quando há suspeita de apneia.

Um cenário ilustrativo comum: a filha conta que o pai "só quer dormir" desde que perdeu o interesse pelo jardim. Na conversa, aparecem noites interrompidas pela vontade de urinar, um remédio para dormir que vem sendo tomado há anos e um desânimo que ninguém tinha chamado pelo nome. Cada peça tem um caminho próprio — e juntas explicam o dia sonolento.

O que a família pode fazer até a consulta

  • Anotar por uma semana os horários de sono, os cochilos e o que a pessoa fazia antes de cochilar;
  • Observar a noite: ronco, pausas na respiração, idas ao banheiro, dor;
  • Levar todas as caixas de remédio à consulta, inclusive o que "não é remédio";
  • Abrir as cortinas e sair com ele ao sol pela manhã, e criar pequenas atividades no período da

tarde — uma caminhada curta, uma conversa, uma tarefa de que ele goste;

  • Não brigar com o cochilo: um descanso curto depois do almoço faz parte da rotina. O que merece

atenção é o dia inteiro.

Perguntas frequentes

É normal o idoso dormir muito durante o dia? +

Um cochilo curto depois do almoço é comum e costuma fazer bem. O que não é esperado é passar boa parte do dia dormindo, cochilar no meio da conversa ou das refeições, ou ter dificuldade de se manter acordado mesmo depois de uma noite inteira na cama. Envelhecer muda o sono, mas não faz a pessoa precisar dormir o dia todo — quando isso acontece, vale procurar a causa.

Meu pai começou a dormir muito de uma hora para outra. É urgente? +

Sonolência que aparece de repente, em poucos dias, merece atenção rápida. No idoso, infecção, desidratação, um remédio novo ou um quadro de confusão aguda podem se manifestar justamente assim — a pessoa fica mais quieta e sonolenta, às vezes sem febre. Se ele está difícil de acordar, confuso, sem comer ou beber, a avaliação deve ser no mesmo dia. Se não desperta direito, tem fala arrastada ou fraqueza em um lado do corpo, chame o SAMU (192).

Remédio pode deixar o idoso sonolento? +

Pode, e é uma das causas mais comuns. Remédios para dormir e para ansiedade, alguns antialérgicos, analgésicos mais fortes e medicamentos para dor nos nervos estão entre os que mais dão sono, e o efeito se soma quando a pessoa toma vários ao mesmo tempo. A revisão da lista é uma das primeiras etapas da consulta. Nenhum remédio deve ser suspenso ou ter a dose mudada por conta própria.

Ronco alto tem a ver com sono durante o dia? +

Pode ter. Ronco alto com pausas na respiração, engasgos durante a noite e acordar cansado são pistas de apneia do sono, que fragmenta o descanso sem que a pessoa perceba e deixa o dia sonolento. A apneia é subestimada em idosos e pode ser investigada e tratada — vale contar ao médico o que a família observa à noite.

Agende uma avaliação

Se o seu pai ou a sua mãe passou a dormir o dia inteiro, não espere "ver se passa" nem aceite que é coisa da idade: a sonolência quase sempre tem um motivo, e boa parte deles tem solução. A avaliação pode ser feita com a Dra. Ana Laura Bersani (Geriatra, RQE 38440), em Franca — presencial, por telemedicina ou, para quem tem dificuldade de sair de casa, com atendimento domiciliar. Para agendar, chame no WhatsApp (16) 99174-0302.

Referências

  • Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) — avaliação geriátrica ampla, revisão de

medicamentos e cuidado com o sono da pessoa idosa.

  • Associação Médica Brasileira (AMB) — diretrizes sobre delirium no idoso e sobre distúrbios

respiratórios do sono.

  • Organização Mundial da Saúde (OMS) — envelhecimento saudável e cuidado integrado à pessoa idosa

(ICOPE).

Quando procurar um geriatra. Se o sintoma é novo, está piorando ou vem junto com quedas, confusão, perda de peso ou muitos remédios, vale uma avaliação. Em Franca e região: consulta no consultório ou em casa. Em outras cidades: consulta com geriatra online.

Quer entender o que isso significa no caso do seu familiar?

A consulta geriátrica avalia a pessoa por inteiro (saúde física, memória, humor, medicamentos e rotina) e termina com um plano de cuidado claro.

Conteúdo informativo; não substitui a avaliação médica. Cada caso é individual.
5,0 no Google|180+ avaliações|CRM 130.277 · RQE 38440|UNIFESP · Einstein